quarta-feira, 2 de abril de 2025

Nos encontramos

É engraçado como a vida nunca segue o script que definimos, não é? 

A Andressa de 15 anos, como uma boa capricorniana, tinha tudo planejado. 

Me peguei fazendo mentalmente a trend que bombou umas semanas atrás, fui tomar um café com ela, a representante da sala, a melhor aluna da turma, a filha exemplar e tantas outras características boas que ela tinha. 

A gente se encontrou e ela, com aquele cabelão, um piercing no nariz e outro no umbigo, chegou na hora exata, atrasos nunca foi algo que a gente gostasse. Eu me atrasei, tive que organizar meu filho antes de sair, acontece quase sempre. 

Ela começou perguntando quantos anos eu tinha e eu disse: 34! Chegamos na idade dos sonhos. Você sempre desejou chegar nos 30 e nós chegamos. 

Ansiosa como sempre, ela perguntou sobre nossos planos e me mostrou as anotações na agenda cor de rosa. Eu ri, pedi para ela respirar fundo e ter calma. A vida saiu dos trilhos!

Pude enxergar a frustração dela no olhar e na cara, disfarçar as reações nunca foi nosso forte mesmo. 

Comecei contando para ela que a gente tinha realizado um dos nossos maiores sonhos, tínhamos um filho lindo, do cabelinho cacheado, mas que ele não se chamava Théo, se chama Valentim. Ela riu e eu entendi, usávamos esse sobrenome nas redes sociais. 

"Mas espera aí? Não casamos com o nosso príncipe encantado?", casamos. Mas a vida adulta é muito complexa e nosso conto de fadas durou o tempo que tinha que ter durado, não tínhamos mais um príncipe encantado do lado. A princesa teve que aprender a se virar sozinha. 

Mais uma vez senti a decepção vindo dela. "Pelo menos temos nossa casa com um redário? Um emprego público legal?", também não. 

"Demos errado então, né?". Eu entendi a angústia dela, éramos boas demais em tudo. Como poderia ter dado errado se a gente sempre se destacava? Se sempre conseguíamos o que queríamos? 

Aí é que tá, Andressa. Não temos controle de nada e descobrir isso doeu. Quando eu entendi que nossos planos eram meros rascunhos, eu também enlouqueci. 

Contei para ela sobre tudo que aconteceu, sobre as amigas que ainda são as mesmas, sobre o quanto amamos nosso corpo, sobre como tenho buscado diariamente resgatar a força que tínhamos, sobre resiliência, descobertas e sobre o poder de acreditar no melhor, ainda que as coisas saiam do nosso controle. 

Ela me perguntou sobre romances, sobre a faculdade, pediu para eu contar algumas histórias e eu contei. Demos boas risadas e eu enxerguei tudo aquilo que havia perdido ao longo dos anos, a vitalidade de uma menina cheia de sonhos. 

Pedi para ela continuar acreditando nela, eu tinha que ir, precisava buscar nosso garotinho na escola. Prometi que voltaria com boas notícias em breve, afinal, não somos mulheres que nos contentamos com o não, né? 

Ela planejou e eu ainda vou realizar. 

Com amor, 

A.

Caso do acaso

O que tinha tudo para ser apenas o acaso de uma noite só, causou um turbilhão de sentimentos em mim. 

Eu jamais esperava que daquele beijo intenso, seguiríamos para uma noite inesquecível. 

Era como se a gente já se conhecesse de outras vidas, como se você soubesse exatamente o que fazer e como fazer. 

Me lembro de cada canto do meu corpo em que você beijou, da sua respiração ofegante, das suas mãos quentes e fortes. 

Me lembro dos seus olhos castanhos escuros me encarando, como se estivessem tentando decifrar algo em mim. 

Me lembro da sua boca grossa, da forma como mordia os lábios e sorria cheio de maldade.

Me lembro da sua pele, das curvas escuras, do corpo mais bonito que já conheci.

Me lembro do quanto a minha respiração estava ofegante e do som da sua voz grossa no meu ouvindo dizendo: Eu quero você!

Nesse momento tocou uma música e eu respirei fundo, ela dizia exatamente como eu me sentia.

Você passou a mão no meu corpo todo e chegou aonde queria chegar, eu estava pronta. 

A partir dali, senti tudo, com toda intensidade que o momento pedia.

Fazia tempo que não me sentia desejada como naquela noite. Você me devorava com os olhos e sussurrava em meu ouvido os passos que daríamos a diante. 

Pude experimentar diferentes sensações, você colocou o mundo no mudo.

Uma noite, poucas horas e um caminhão de sentimentos. Aqueles encontros do acaso que causam quando acontecem.  




Da série: Devaneios
Caso do acaso
A.


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Revistando sentimentos

Numa bela manhã de inverno, resolvi refazer os passos até você, não que fosse um esforço absurdo ou que fosse algo que eu realmente precisasse viver nesse momento, mas o que seria de mim se não fosse os milhares momentos nostálgicos que guardo na memoria, não é mesmo? Para isso, abri aquele blog empoeirado, coloquei no fone - agora sem fio -, aquela música que a gente cantava alto pelos corredores frios da repartição e deixei a mente viajar. 

Num primeiro momento me permiti e me deixei livre para sentir tudo que a sua presença me causa. Hoje, já consigo falar e reviver sem dor, acredito eu. 

Logo de cara me lembrei das sensações mais loucas e deliciosas que sentia ao te ver, o coração disparava, a boca secava e assim como naquele episodio do desenho que meu filho adora ver, haviam mil borboletas voando dentro do meu estomago. Era um misto de admiração, paixão, ansiedade, a respiração ficava pesada e os sorrisos eram involuntários. 

É, eu preciso confessar, reviver você me leva para um lugar feliz. 

Eu me lembrei da forma desajeitada que você deixava o seu cabelo, das sobrancelhas grossas que de tão cheias quase se uniam. Me lembrei também dos dois caras diferentes que habitavam na mesma pessoa, ora o doutor do terno alinhado, da cara fechada, dos poucos amigos e de meias palavras, ora o cara descolado, da roupa largada, da risada alta e das infinitas histórias de suas aventuras. 

Não sei explicar, mas essas lembranças me remetem a uma mulher que sabia o potencial que tinha, mas isso é pauta para outro dia. 

Me lembrei de um dia chuvoso, em meados de agosto, que enxerguei o quanto você era bem mais incrível do que eu imaginava, você se abriu e nós conversamos por horas. Naquele dia pude perceber que você era mais do que um cara do sorriso bonito.

Pude desbloquear na mente o som da sua gargalhada, que era alta e que te fazia inclinar a cabeça para trás, eu amava te ver sorrir.  

Você despertava em mim, todos os dias, a sensação de ser vista, quista, de ser importante, fazia questão de me conquistar todos os dias, em cada detalhe, em cada mensagem de texto, em cada chocolate pós almoço. Meus assuntos eram importantes, meu sentimentos eram importantes, eu existia para você.

Refazer os passos até você é como sentir uma brisa leve no rosto, que traz as sensações boas naqueles poucos segundos e depois passam, como tem que ser. 

Obrigada por ser a brisa leve do furacão mais intenso que já conheci. 

Eu fico feliz por poder te reviver, sou grata por tudo que passamos. É uma delícia revisitar tantas sensações incríveis que a tanto tempo não são sentidas por aqui, tenho a sensação de que, assim que acesso você, todo o resto some. 

Mas, agora preciso retomar a realidade, quem sabe não volto e te reencontro - aqui - em breve?

Com amor (e um pouco de saudosismo),

A.
 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eu queria falar de amor

Eu queria falar de amor, 
queria falar de uma vida belíssima e cheia de sorrisos soltos, 
queria poder falar que 90% das pessoas que conheço estão felizes e satisfeitas com a própria vida.
Eu queria poder escrever sobre um mundo de paz, sobre sanidade mental, sobre notícias boas,
queria escrever sobre religiões diferentes que se unem em prol do bem maior,
queria falar sobre não ter padrões e sobre mulheres que amam seus corpos do jeito que são. 
Como queria... 
Mas infelizmente nem a melhor das músicas inspiradora me trazem para esse mundo colorido e cheio de harmonia que tanto desejamos.

Mas posso e devo escrever sobre ser forte! 
Sobre saber que nada é, tudo está e que, quanto mais fé tivermos, mas perto estaremos desse mundo ideal que tanto sonhamos. 
Posso escrever para você, que assim como eu, custa acreditar que existe um jeito. 
Existe! Sempre existe!
É tanto caos junto que no meio disso tudo, nós nos perdemos, eu sei.
Mas aguente firme, faça sua parte!
Seja gentil, forte e perseverante. O mundo precisa de boas energias.

Confio em você.
Acredito em nós!

She threw her head back and breathed in the fresh air. 

SALDO DO DIA: -
 Vim desabafar!

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Um recado para você

  (Entre idas e vindas, sempre me acho aqui.)

  Tem dias que a gente precisa parar, colocar os pés no chão, uma boa música e perguntar para o coração: E aí, cara?! O que que tá pegando? Nem sempre as respostas são completas ou audíveis, mas acredite, ele fala. 

  No auge dos meus quase 30 anos, uma vida profissional nada resolvida, um casamento para organizar, uma luta eterna com a balança e procurando aquele ânimo para viver, me peguei lendo meus textos antigos. E quer saber? Deu um puta orgulho de mim! Eu escrevo bem pra caramba, cara. As vezes a gente se olha no espelho e não consegue reconhecer quem somos e nem tirar uma qualidade sequer daquele pequeno ser refletivo ali, mas acredite, somos grandes!

  Possivelmente, se você se encontra no mesmo momento que eu, deve estar pensando: Balela de Augusto Cury! Mas, se posso te dar um conselho, acredite e busque, você tem alguém gigante engolido por esse pessimismo horroroso que não te deixa enxergar além.

  Vivemos em um mundo que tem como dever de casa exigir que você seja perfeito. Tem que ser rico e profissionalmente resolvido aos 20 e poucos anos, ter um corpo magro padrão Bruna Marquezine, ser feliz e sorridente para não passar más energias, ter um passaporte devidamente bem carimbado, dentre outras coisas, e nós, infelizmente, damos importância para toda essa inhaca. Não se encaixar nos padrões do instagram dói, machuca e dá um desânimo da porr@ em viver. 

  Isso não é besteira, caro amigo, eu sei que não. Se te ajuda a respirar melhor, eu te digo, acredito em você! Sei bem o que é isso. E aí você pode estar se perguntando desse outro lado: Ok, e como sair dessa, cara escritora? Eu não sei. Não há formula perfeita para encontrar a felicidade, se aceitar como é, pegar as mãos do amor próprio e seguir, até porque, se houvesse não trabalharíamos com o alto índice de suicídios, infelizmente.

  Mas hoje foi um dia diferente. O acaso me trouxe até meus textos, do mesmo jeito que pode te levar conscientemente (ou não) a sua pasta de desenhos, seu livro de receitas, seus vídeos de dança ou a algo que você faça bem. Quando isso acontecer, leia (veja, faça...) com amor, enxergue aquilo de bom que você sabe que tem, não é vergonha assumir que você é bom pra caralh@ em algo.

  Como desejo de retorno, espero do fundo do meu coração que eu não esqueça dessa sensação maravilhosa e libertadora que é escrever e que você, seja aonde estiver, sinta meu abraço apertado e acredite, você consegue e pode mais, muito mais! 


  Com amor,

  Andressa Gabrielle.

  ps. uma foto minha mesmo, de cara lavada, com o cabelo fora de ordem mas com o sorriso mais verdadeiro que você verá hoje. Se amanhã será assim, eu não sei. O importante é que vivi o hoje e vou terminar o dia feliz pra caramba!


SALDO DO DIA: 10
Vencemos mais um dia!




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Ela é do carnaval

Sim, ela é do carnaval e aí?

Ela é do axé, do batuque, dos ritmos.

Ela é da fantasia de carnaval, do abadá, do tênis surrado na avenida.

Ela é aquela que corre atrás do trio, se arrepia e se emociona.

Ela admira a alegria dessa época do ano que emana uma energia única.

Ela é da Bahia, de todos os santos, encantos e axé.

Ela é fevereira inteira, conta os dias de quarta feira de cinzas até quarta feira de habeas corpus.

Ela celebra o carnaval como celebra mais um ano de vida. Carnaval todo ano é presente de aniversário.

Tem fama de praieira, guerreira, solteira, ela quer mais o que?

Não se espante, ela também acredita em amor no meio do bloco. Porque não? 

Carnaval é amor, é tradição. Se não tem carnaval o ano passa mais lento, pesado, angustiado e cheio de saudade.

Ela é baiana de coração, corpo e alma. 

É do Príncipe Maluco, do Morro do Gato, do Farol da Barra, das piriguetes muito baratas e dos Filhos de Gandhi.

A carne dela é de Carnaval e o coração igual.


Da série: Devaneios
Ela é do carnaval
A.

Pelo quarto ano seguido, lançamos uma coleção de tattoos temporárias e atóxicas para o carnaval, uma parceria com a turma da Le Petit Pirate

Amor de realeza

Quando você é criada por um príncipe, dificilmente aceita conviver com um sapo.

Dizem que a primeira paixão de uma menina é o pai, a fascinação por aquela figura é natural e muito compreensível. Claro que nem toda tese é absoluta e existem casos e casos, mas enfim, não vamos entrar em detalhes psico-discutíveis.

O caso é, quando uma menina é criada por um pai que estende o tapete vermelho por onde ela passa, dificilmente se agradará com algo que seja menos do que a realeza.

Com a graça de Deus pude ser criada por um rei, a minha infância sempre foi um conto de fadas, o meu pai sempre foi o herói, o príncipe, aquele que sempre me pegava no colo e me livrava das mãos do inimigo ou das torres isoladas.

Eu cresci e hoje, no auge da vida adulta, ainda convivo com provas de que o meu verdadeiro príncipe ainda se encontra ali, ainda enxerga sua princesinha perdida na rotina pesada do dia a dia.

Meu pai é um verdadeiro príncipe. Gira o Planeta Terra se for preciso para me ver feliz. Constroe pontes, destrói muros. Sempre tem a palavra certa na hora certa, O abraço sincero. O olhar acolhedor. Me conhece pelo meu silêncio, adivinha meus pensamentos, sabe o sabor favorito do meu suco e quando estamos juntos, não preciso dizer nada, ela sabe exatamente o que pedir.

Entre tantas demonstrações de amor, carinho e realeza, hoje fui pega de surpresa; convidei ele para comer algo gostoso, mas sabia que iria me atrasar, já fui pedindo desculpas e perguntando se ele me esperaria mais 20 minutos, a resposta me surpreendeu: Filha, espero o tempo que for necessário.

Ai, pai.

Feliz dia dos pais, barrigudinho. Eu te amo!

Da série: Devaneios
Amor de realeza
A.


Fotos pai e filhos pra fazer enquanto eles crescem